II Fórum Econômico do Açaí debate aproveitamento e comercialização do fruto

II Fórum Econômico do Açaí debate aproveitamento e comercialização do fruto

O açaí caiu no gosto do mundo. O fruto que não pode faltar na mesa dos paraenses, principalmente acompanhando de um peixe frito e uma boa farinha, virou matéria prima em bebidas energéticas, cosméticos e até mesmo na obtenção de energia transformadora, com o aproveitamento do caroço.

Para conhecer os novos processos tecnológicos de beneficiamento do açaí e garantir a comercialização do fruto de maneira sustentável, a Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Economia (Secon), realizou nesta quinta-feira, 09, no auditório da Escola de Governança Pública do Estado, II Fórum Econômico do Açaí.

O evento faz parte da programação referente ao Encontro Mundial das Cidades Criativas da Gastronomia da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que além da apresentar e valorizar a gastronomia local, promove intercâmbios de negociações com pequenos e grandes produtores da região.

Segundo o secretário municipal de Economia, Mário Freitas, “o açaí é um dos gêneros com maior potencial de comercialização e inserção econômica durante o Encontro das Cidades Criativas da Gastronomia da Unesco. Somente na capital existem cerca de 10 mil pontos de venda do fruto, o que representa uma fonte de emprego e renda para quem trabalha direta e indiretamente com a comercialização e exportação do açaí”.

“Procuramos não ficar limitados apenas nas vendas da polpa do fruto, há uma preocupação com o aproveitamento dos caroços do açaí, que todos os dias são despejados para o meio ambiente”, observou o batedor de açaí, Arthur Soares. De acordo com o microempresário, que tem um ponto de venda no bairro do Telégrafo, cerca de 30 quilos de caroços do fruto são descartados por dia do estabelecimento dele, chegando a dobrar essa quantidade aos finais de semana, quando aumenta a produção.

Para o recolhimento dos resíduos do açaí, deixados pelos batedores artesanais da capital, a Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan) realiza regularmente a coleta dos caroços do fruto, correspondente a 106 toneladas desse resíduos  por dia. Todo o material segue para  o Aurá.

O aproveitamento adequado desses caroços passa pelo processo de negociação com empresários, associações, cooperativas e demais interessados, por meio de um Chamamento Público, conforme o edital n 13.361, de 13 de setembro de 2017. “A partir disso, a comissão avaliadora das secretarias municipais de Saneamento e Meio Ambiente, examina as melhores propostas para o desenvolvimento local, aliadas principalmente com as reduções dos impactos ambientais”, explica o coordenador de coleta seletiva da Sesan, Wladimir Monteiro Varela.

Além do aproveitamento do caroço do açaí na conversão energética, o professor da Universidade Estadual do Pará (Uepa), João Rodrigo Nobre,  que pesquisa as novas tecnologias de beneficiamento do fruto, cita outras transformações de maior valor comercial tanto no mercado interno quanto externo, como a criação do carvão ativado, ideal para purificar águas e gases, e ainda o biocarvão, benéfico para o melhoramento e fertilização do solo.

Nazareno Alves da Silva, proprietário dos restaurantes Point do Açaí, ampliou os negócios também  com a manipulação dos resíduos do fruto. “O espaço para o aproveitamento dos caroços em energia fica no distrito industrial de Icoaraci e agora estamos em processo de parcerias com a Prefeitura de Belém e Governo do Estado para os incentivos fiscais e licenças ambientais para desenvolver esse trabalho, que certamente será importante para o desenvolvimento da economia interna”, destacou o empresário.

Festival do Açaí – O II Fórum Econômico do Açaí é também ponto de partida para a IV edição do Festival do Açaí, que será realizada nesta sexta-feira, 10, e sábado, 11, a partir das 17h, no Portal da Amazônia.  O evento, que também faz parte do Encontro das Cidades Criativas da Gastronomia da Unesco, será aberto ao público e contará com barraquinhas de comidas típicas com o fruto, show musical com a cantora Fafá de Belém e outras atrações. “Este é mais um evento de promoção da Prefeitura de Belém, que objetiva valorizar o turismo e os negócios da capital”, conclui o titular da Secretaria de Economia.

Por Roberta Corrêa

Pesquisa – Venda de ingredientes para os pratos do almoço do Círio cresce nas feiras municipais

Pesquisa – Venda de ingredientes para os pratos do almoço do Círio cresce nas feiras municipais

Durante o mês de outubro Belém vive a festividade do Círio de Nossa Senhora de Nazaré. Nesta época de manifestações religiosas, a culinária típica da época, em especial o pato no tucupi e a maniçoba, ganha destaque na mesa do paraense. Os ingredientes para esses pratos são facilmente encontrados nas feiras municipais. Para acompanhar a evolução dos preços dos produtos, a Prefeitura de Belém, através Secretaria Municipal de Economia (Secon), colocou à disposição dos consumidores, nesta quinta-feira, 21, a pesquisa que revela a média de valores praticada nos principais centros de abastecimentos da capital.

As feiras pesquisadas neste mês de setembro foram a do Complexo do Ver-o-Peso, a Feira da 25 de Setembro, a da Tavares Bastos e as dos bairros do Jurunas, do Guamá e da Pedreira. Segundo o diretor do Departamento de Apoio à Produção da Secon, o economista Roberto Alcântara, “se levou em consideração para o critério da escolha das feiras aquelas mais procuradas, tanto pela população local quanto pelas pessoas que visitam a cidade nesse período”.

O casal de turistas de Salvador (BA) Maria da Glória e Geraldo Mesquita chegou esta semana em Belém e se encantou com a variedade de produtos encontrados no Complexo do Ver-o-Peso. “Nossa maior curiosidade era visitar essa feira. Queremos conhecer cada produto e o setor de vendas do pato e do tucupi, que já tivemos a oportunidade de experimentar em um restaurante regional e achamos uma delícia”, revela a turista.

Para o preparo do pato no tucupi, o estudo realizado pela Secon neste mês de setembro, nas feiras municipais de Belém, identificou os seguintes preços médios: o pato vivo foi vendido a R$ 32,33 o quilo, o tucupi a R$ 6,02 o litro, o jambu a R$ 1,92 o maço, a chicória a R$ 1,72 o maço e a alfavaca R$ 2,02 o maço.

O feirante Lucivaldo Tobias comercializa patos há 30 anos no Ver-o-Peso. Ele diz que em meses comuns vende uma média de 70 animais e com a chegada do Círio a comercialização chega a 200 unidades por mês. “O segredo é saber negociar, deixo a escolha do pato ao freguês e na hora de negociar a gente dá um jeito de sair bom para os dois lados”, explica o feirante.

O tucupi é outro ingrediente bastante procurado pelos consumidores, e no Ver-o-Peso o produto é vendido fresquinho, com a mandioca beneficiada artesanalmente na própria feira. A vendedora Maria de Nazaré já é uma especialista em tucupi e dá a dica: “Fora da geladeira ele pode durar até três dias, já dentro da geladeira fica por volta de três meses. Agora, se quiser congelar o tucupi, ele pode durar anos”. Ainda segundo a permissionária, a comercialização diária do produto, que em dias comuns chega a 150 litros, nas proximidades do Círio fica volta por 1.000 litros por dia.

A freguesa Enésia Moreira Dias não perdeu tempo. Além do tucupi e do jambu para o pato, ela também já está adquirindo os ingredientes da maniçoba. “Acabei de comprar a maniva, que já está no ponto de preparo. Assim economizo no tempo e também no gás. Também procuro comprar sempre bem antes das comemorações, pois assim posso olhar com calma e achar o melhor valor”, observa a consumidora.

Para a elaboração da maniçoba, os preços médios registrados por quilo dos produtos pesquisados pela Secon nas feiras municipais foram: a maniva crua sai a R$ 4,83, a maniva pré-cozida a R$ 5,95, o toucinho branco a R$ 15,72, o bacon a R$ 19,45, o charque a R$ 22,83, o chouriço a R$ 20,26, o pé de porco a R$ 13,77, o paio a R$ 20,39, o lombo de porco a R$ 17,13 e o bucho bovino a R$ 7,38.

Com base na pesquisa, a Secon calcula que o valor total para o preparo do pato no tucupi, para 20 pessoas, pode variar entre R$ 139,80 e R$ 201,94, entre as feiras pesquisadas. Já para o preparo da maniçoba, o valor total com todos os ingredientes, também para 20 pessoas, foi estimado entre R$ 154,40 e R$ 214,75. “Concluímos que as feiras municipais estão sendo uma ótima opção para quem deseja garantir o almoço do Círio, mas é importante também que o consumidor sempre busque o melhor preço e saiba negociar diretamente com vendedor”, observa o diretor Roberto Alcântara.

Por Roberta Corrêa

Padronização – Feiras de Belém começam a adotar modelo padrão de barracas

Padronização – Feiras de Belém começam a adotar modelo padrão de barracas

Compromisso sagrado. Todas as semanas o autônomo Carlos Roberto Brito vai à Feira da Batista Campos para comprar farinha, pupunha, bacuri e outros produtos típicos da região. Ele considera que o espaço deveria oferecer melhores condições de estrutura para os clientes e para os próprios trabalhadores. “Por toda importância histórica que essa feira tem, acho que ela merece mesmo ficar mais bonita com um padrão de higiene nas barracas, sem contar que a feira está bem no centro da cidade”, observou o autônomo preocupado com a incoerência da estrutura sem padrão em uma área turistica da cidade.

Para proporcionar um novo visual e ainda oferecer melhores condições de trabalhado aos feirantes, dentro dos padrões higiênico-sanitários exigidos para esse tipo de empreendimento, a Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Economia (Secon), iniciou o processo de padronização das barracas e nesta sexta-feira, 25, os primeiros equipamentos, que servirão como base para a implantação nas demais feiras da capital começaram a ser adotados.

O setor de hortifrutigranjeiro foi o primeiro a receber a nova estrutura  feita em metalon galvanizado, medindo 2 metros por 1 metro, com bandeja em tela de arame, pintura especial, além de cobertura e lona de poliéster revestidas de PVC. Segundo a arquiteta responsável pelo projeto, Karen Miranda Casseb, “o equipamento foi produzido conforme as necessidades dos feirantes, que puderam verificar e dar opinião junto à Secon, de como gostariam que ficassem” os pontos de venda.

“O que eu achei de melhor nessas barracas foi a leveza, porque pesa uns 48 quilos, bem mais leve que a minha anterior que era de madeira, o que facilita, inclusive, para desmontar e guardar. Também estou achando mais fácil de limpar, por conta do tipo de material”, destaca dona Maria do Socorro Siqueira, que há 47 anos trabalha com o esposo, na venda de frutas e verduras na feira da Batista Campos.

Os equipamentos foram financiados pelos permissionários, por meio de linha de crédito ofertada pelo Credcidadão, do Governo do Estado, parceiro da prefeitura nas ações de incentivo aos trabalhadores informais e microempreendedores de Belém. As barracas serão financiadas em até 18 meses, com juros de 0,5% ao mês.

Conforme o decreto municipal 26.579/94, que regula a atividade de feiras em Belém, cabe ao poder público estabelecer a padronização dos equipamentos e autorizar a permissão de uso do espaço público. As barracas devem ser adquiridas pelos próprios trabalhadores que exploram as vias públicas como fonte de renda.

Seu José Dias de Sena é conhecido há 28 anos na feira da Batista Campos por vender goma, farinha de tapioca e farinha d’água. O feirante ainda não realizou o financiamento de uma barraca nova, mas após ver o resultado do equipamento entregue pela prefeitura aos colegas, gostou e já se motivou para adquirir uma. “Achei o modelo bem interessante, chama a atenção dos clientes, vou procurar a Secon para ver se consigo uma barraca adaptada ao setor de farinha, ainda antes do Círio, porque vem muita gente de fora querendo nossos produtos. Tenho que investir no meu negócio”, destacou.

Após a implantação das barracas padronizadas na feira da Batista Campos, a Prefeitura de Belém segue com o processo  nos demais logradouros público da cidade, como a feira do Telégrafo, onde o projeto também prevê o remanejamento dos 95 permissionários que atuam hoje na Avenida Senador Lemos para a Travessa Magno de Araújo.

“Estamos em constante diálogo com os feirantes, moradores das ruas próximas e comunidade para captar sugestões e aperfeiçoar a padronização na feira do Telégrafo. A intenção da PMB é desobstruir a Av. Senador Lemos para garantir vagas de estacionamentos e livre acesso aos pedestres nas calçadas. Com isso, os feirantes passarão a ter mais clientes e, consequentemente, mais rentabilidade nas vendas”, argumenta o secretário municipal de Economia, Mário Freitas.

O ordenamento do comércio informal e do trânsito, reestruturação asfáltica e de esgoto, serão realizadas pelas secretarias municipais de Saneamento (Sesan) e Urbanismo (Seurb), nos locais de atuação dos feirantes, entre outras melhorias previstas no processo de padronização.

Dona Maria Helena de Souza Brito veio do Guamá com um grupo de feirantes para conferir de perto a barraca modelo exposta na Secon. “Achei o material resistente e bonito, dá para armazenar bem meus produtos e colocar organizados. Acho que minha barraca vai chamar mais freguês que as outras”, destacou a feirante que há 40 anos trabalha no setor de hortifrutigranjeiro, no Guamá.

A segunda etapa da requalificação das feiras livres de Belém prevê a identificação dos feirantes com crachás, uniformização dos trabalhadores e cursos de qualificação profissional, como os que já vêm ocorrendo com os batedores de açaí das feiras e mercados municipais, ofertados pela Prefeitura de Belém e Governo do Estado.

“Sabemos que as feiras tiveram uma perda de clientes por conta das condições nas quais se encontravam. Mas a Prefeitura de Belém acredita que as padronizações dos equipamentos, aliada ao cumprimento da legislação higiênico-sanitária e à capacitação dos feirantes como empreendedores, está contribuindo para o resgate e a valorização dos logradouros públicos da nossa capital”, conclui o titular da Secon.

Por Roberta Corrêa

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MOSQUEIRO – Mercado Municipal e tapiocarias apresentam preços acessíveis aos veranistas

MOSQUEIRO – Mercado Municipal e tapiocarias apresentam preços acessíveis aos veranistas

O Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese-Pa),estima que Mosqueiro receba,até o último final de semana de julho, cerca de quinhentos mil turistas,principalmente da capital e do interior do Estado. Com toda essa demanda, a preocupação de muitos visitantes é se o distrito estará abastecido e com preços acessíveis. Pensando nisso, pelo quarto ano consecutivo, a Prefeitura de Belém, através da Secretaria Municipal de Economia (Secon), e o Dieese no Pará, apresentaram nesta segunda-feira, 10, o estudo com os preços dos principais produtos comercializados no mercado municipal e nas tapiocarias da vila de Mosqueiro.

Segundo o secretário de Economia, Mário Freitas, é neste período que muitos comerciantes e produtores locais aumentam o rendimento familiar. “No entanto, sempre mantemos um diálogo com esses trabalhadores, para que tenham a oportunidade de obter a lucratividade, sem precisar praticar preços abusivos aos consumidores que estão aproveitando a ilha”, destaca o titular da Secon.

No resultado do estudo realizado na primeira semana de julho pela Secon e Dieese-pa, no mercado municipal da vila de Mosqueiro observam-se os preços médios dos quilos da dourada a R$ 16,50; filhote R$ 23,00; pescada amarela R$ 16,50; pescada branca R$ 12,33; sarda R$ 11,33; tambaqui R$ 14,00 e tamuatá R$ 10,00. Os pesquisadores avaliaram também o valor da carne bovina de primeira, com média de R$24,00, e carne de segunda a R$ 12,40.

Já nas barraquinhas de tapioca da vila, destacam-se os preços médios por unidade da tapioca com manteiga a R$2,94; tapioca com queijo R$ 4,38;tapioca molhada R$4,00, café preto R$1,38; café com leite R$2,31; cuscuz fatia R$4,00 e o mingau a R$4,63.

Na avaliação do supervisor técnico do Dieese-pa, Roberto Sena, “os valores apresentados nesses estabelecimentos se mostram equilibrados, possibilitando que os veranistas consumam os produtos comercializados na própria ilha a preços acessíveis” conclui o técnico.

Por Roberta Corrêa